Relacionamentos: a chave de tudo

“Quer seja no trabalho, na escola, em casa, na comunidade, todos os dias convivemos com diferentes pessoas. Construir relações fortes, saudáveis e de confiança não é tarefa fácil e, por isso, todos querem saber como consegui-lo. Fomos falar com quem é entendido na matéria para descobrirmos um pouco mais deste complexo mundo.
A vida é feita de relacionamentos. Connosco próprios. Com espaços e objetos. Com as outras pessoas. Relacionamo-nos com pais, irmãos, amigos, parceiros, colegas de trabalho, chefes, empregados do café que frequentamos habitualmente. Encontramos alguém por quem nos apaixonamos e que se apaixona por nós. Simplesmente acontece. Parece fácil, não é? Mas os relacionamentos entre as pessoas têm sempre as suas complicações. Basta pensarmos, por exemplo, nos relacionamentos amorosos.
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Por vezes, amamos a pessoa errada. Podemos amar demasiado, não amar o suficiente ou não saber demonstrar esse amor. Em alguns casos esforçamo-nos por encontrá-lo, enquanto noutros não sabemos se já o encontrámos. E há ainda os momentos em que pensamos que ainda existe, mas sentimos que está a enfraquecer e não sabemos como recuperar o seu esplendor. As relações, sejam de que natureza forem, podem ser testadas e postas à prova até ao limite.Se olharmos ao nosso redor, podemos ver que os relacionamentos estão no centro da nossa vida e aprendizagens. Maria de Jesus Candeias, psicóloga e terapeuta de casal, explica que “o ser humano é um ser, por natureza, social e relacional. Só existimos em relação. Amar e ser amado é algo fundamental ao ser humano e ao seu desenvolvimento”.

Por isso, desde que nascemos que tentamos aprender a relacionar-nos com as pessoas que nos rodeiam. Interagimos no nosso quotidiano não só por necessidade do momento, mas porque precisamos de estabelecer relações interpessoais e, consequentemente, ligações emocionais.

No entanto, à medida que crescemos, o modo como nos relacionamos com os outros vai-se modificando. Vamos formando a nossa personalidade e construindo relações com base nas nossas experiências, hábitos e padrões comportamentais. Por exemplo, “em crianças os pais representam tudo para nós, na adolescência os amigos assumem o centro das nossas vidas, e há medida que nos desenvolvemos sexualmente, a nossa atenção e o nosso investimento relacional, passa a ser na procura de uma relação amorosa íntima”, conta a psicóloga. 

A chave para relações saudáveis e duradouras 

O relacionamento humano é complexo, pressupõe o sabermos interagir uns com os outros, ter em conta os papéis, as normas, as expectativas, a cultura, a comunicação, as diferentes formas de ver o mundo. Todos os sucessos que alcançamos na vida são resultado de relacionamentos iniciados com as pessoas certas e, posteriormente, do fortalecimento desses laços.

Tornar uma relação duradoura não é uma questão de sorte, astrologia ou destino. Para Maria de Jesus Candeias, manter um relacionamento é uma arte e há pessoas que têm mais competências relacionais do que outras. Porém, “não há relações perfeitas e mesmo as relações saudáveis têm os seus momentos de crise”, adverte a terapeuta de casal.

Os relacionamentos sólidos e duradouros são dos ingredientes que dão mais sentido à vida. E há pessoas que parecem extremamente bem-sucedidas em construir essas ligações. No entanto, para a maioria de nós não é assim tão fácil. Apesar de sermos seres sociais por excelência, também temos o dom de estragar as relações que estabelecemos.

Vítor Rodrigues, psicólogo, revela que para fortalecer uma relação “é fundamental observar o trajeto do outro – de quem gostamos -, querer acompanhá-lo, colaborar com ele. É essencial que haja proximidade e cooperação nos vários níveis (físico-corporal, afetivo, intelectual, espiritual) ”.

O sucesso relacional exige, assim, segurança, autoconfiança e uma grande maturidade emocional individual, quer na vida amorosa, quer na vida profissional. “Só podemos amar alguém, se nos amarmos e respeitarmos, em primeiro lugar a nós próprios. Quando isto não acontece, facilmente nos anulamos e perdemos na relação com o outro, e estamos a meio caminho de estabelecer relações pouco saudáveis”, realça Maria de Jesus Candeias.

Segundo os psicólogos, entre os alicerces dos relacionamentos bem-sucedidos encontram-se o respeito mútuo, confiança, capacidade de comunicação, honestidade e frontalidade. E, claro, no caso dos relacionamentos amorosos, o amor, afeto sincero e interesse recíproco pelo outro.

As competências humanas não têm preço. Não importa o que se quer fazer. Se não somos capazes de alcançar sucesso com as outras pessoas, dificilmente o alcançaremos. A nossa capacidade de construir e manter relacionamentos saudáveis é o fator mais importante para nos sairmos bem em qualquer área da vida.

Quando as coisas correm mal…

Porque é que as relações chegam ao fim? Quais são os principais erros que cometemos ao relacionarmo-nos com os outros? Ao que parece o nosso pecado mortal nos relacionamentos pessoais é não lhes darmos a devida importância. Não fazemos um esforço ativo e permanente para fazer e dizer coisas que contribuirão para que as pessoas gostem mais de nós, acreditem em nós e que criem nelas o desejo de trabalhar connosco na realização dos nossos propósitos e desejos.

Geralmente, no início de um relacionamento criamos uma grande expectativa na capacidade de aceitação, realização e partilha para com o outro. Mas à medida que o tempo passa começamos por nos aperceber de características e comportamentos que nos surpreendem, bem como diferenças de opinião, objetivos e expectativas.

Maria de Jesus Candeias aponta “as inseguranças individuais, as dificuldades de comunicação, a procura dum parceiro (a) igual a si, ou que preencha todos os quesitos idealizados” como as principais dificuldades ou erros que existem nos nossos relacionamentos. A comunicação assume aqui um papel fundamental, pois “sem ela o silêncio acaba por corroer a relação”, sublinha a terapeuta de casal.

Também Vítor Rodrigues aponta esta questão como um dos principais elementos responsáveis pelo mau funcionamento de uma relação. “Um dos erros mais comuns consiste em não saber dialogar ou não dialogar o bastante, dedicando-se a ‘adivinhar’ o que o outro pensa ou sente, ou a atribuir razões para o que ele faz ou fez sem lhe perguntar. Do mesmo modo, podemos tender a guardar para nós tudo o que sentimos sem fazer o esforço de partilhar a nossa intimidade emocional”, conduzindo ao que o psicólogo denomina de diálogo de surdos.

Outro dos motivos porque muitas ligações colapsam, sobretudo as afetivas, prende-se com o facto de os nossos relacionamentos assentarem na repetição de padrões de comportamentos, que aprendemos muito cedo. Ou seja, comportamo-nos de acordo com as relações e as experiências que tivemos ao longo da vida.

Assim, o comportamento das primeiras pessoas relevantes das nossas vidas, que aprendemos a amar – geralmente os pais -, tendem também a ficar como protótipo da maneira de nos comportarmos ou dos comportamentos a apreciar. “Por isso, temos tendência, mais tarde, a procurar inconscientemente pessoas similares àquelas que foram primeiro alvo do nosso afeto”, revela o psicólogo.

Se tivermos um modelo familiar pautado por experiências e modos de funcionamento felizes – com base na imagem construída dos relacionamentos e traços de personalidade dos respetivos pais, outros familiares e amigos próximos -, estabeleceremos relacionamentos saudáveis e bem-sucedidos, onde predominam a harmonia e o sentimento de gratificação. Caso contrário, as antigas feridas reabrem e é preciso curá-las.

Mudam-se os tempos, mudam-se os relacionamentos

Os relacionamentos dos dias de hoje pouco têm a ver com os de antigamente. Em pleno século XXI são raras as pessoas que se casam com os namorados do tempo de escola ou universidade e vivem com eles até que a morte os separe. A vida parece agora mais complicada do que no passado e oferece-nos mais escolhas. Temos mais possibilidades de emprego, mais liberdade económica, social e sexual do que os nossos pais e avós.

Uma das consequências desta liberdade é a possibilidade de sairmos de relacionamentos menos satisfatórios em vez de ficarmos presos ao Senhor ou Senhora Errados. Mas também parece que essa liberdade faz com que, por vezes, não nos esforcemos para ultrapassar as contrariedades e desistamos perante o primeiro obstáculo.

Todas as relações que criamos ao longo da nossa vida, independentemente da sua natureza, da duração, da dor que causaram ou da forma negativa como acabaram, resultaram de um modo e falharam de outro. Só porque um relacionamento não resultou, não significa que tenha sido um fracasso. Cabe a nós próprios analisar o que resultou e o que falhou para que possamos melhorar as nossas relações futuras e evitar os erros outrora cometidos. Afinal, os relacionamentos são onde aprendemos mais sobre nós próprios, onde crescemos e evoluímos. ”

In: http://saude.pt.msn.com
Fontes:

– Maria de Jesus Candeias, psicóloga e terapeuta de casal

– Vítor Rodrigues, psicólogo

– Novo relacionamento procura-se, de Gían Gonzaga, Arte Plural Edições

– 100 Regras para o amor. Como construir relações afetivas sólidas e duradouras, de Richard Templar, Editorial Presença

 

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