A importância de psico-oncologia

O processo da doença oncológica envolve muitos factores que envolvem o próprio doente, assim como toda a estrutura humana que o rodeia.

Teremos que entender que pelo tipo de vida que hoje vivemos há uma maior probabilidade de mais pessoas perderem qualidade de vida, e a própria vida, para esta doença / patologia.

Entendo que, pelos processos de desenvolvimento da doença, uma equipa multidisciplinar que cuide e trate do doente de forma integral será sempre a melhor opção.

Dotar também os cuidadores, que nem sempre são os familiares, de ferramentas ligadas à psicologia, assim como outras terapêuticas será uma forma de ajudar o doente pela sua viagem em que terá o cancro como companheiro.

Dos processos estudados em relação à forma como o doente e familiares lidam com a nova realidade, por experiência própria dos meus atendimentos, verifico que também as terapias complementares / alternativas aliadas à medicina alopática, psicologia clínica e familiar, assim como psicoterapias darão uma maior avanço à área da psico-oncologia.

Como musicoterapeuta / terapeuta de som, socorro-me muitas vezes da literatura da psicologia e das patologias oncológicas para que possa tratar e cuidar de cada Ser / paciente tal como ele é, único.

Todos os dias somos Seres diferentes e um paciente com cancro, ou que esteja em remissão, lida ainda mais com essas mudanças da incerteza do que vai ser a cada novo dia.

Com a doença, na maior parte das vezes os papéis familiares sofrem alterações, e o que mais verifico é o esgotamento físico, psicológico e emocional dos familiares e cuidadores informais.

Contudo também assisto ao mesmo esgotamento e, por vezes até mesmo desalento, em profissionais de saúde que lidam com esta doença.

Aqui, sinto que a psicologia é a palavra de ordem para que toda a rede que “suporta” o cancro tenham mais saúde, a todos os níveis.

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Com o avanço científico e tecnológico tratamos e erradicamos cada vez mais com sucesso o cancro fisicamente, mas não tratamos igualmente bem e tão eficazmente as feridas psicológicas e emocionais que a doença deixa no doente e na sua rede de suporte.

 

É ténue a forma como a psicologia chega à verdadeira dor do doente, de alguém a quem foi “amputada” parte da vida.

Há também casos de sucesso e inspiração. Penso que por se sentirem cuidados e acolhidos muitos doentes, mais tarde usam essa aprendizagem e “compreensão” da doença para se tornarem psicólogos, coachs e demais, ajudando assim, quer profissionalmente ou pessoalmente, outros doentes partilhando a sua história de vida.

Nem todos os casos que conheci, terminaram com um “final feliz”, mas quase todos os pacientes com quem lidei e, que tiveram um “bom” acompanhamento psicológico e espiritual, a maioria teve mais qualidade de vida e paz até ao seu último suspiro.

Esta reflexão foi escrita no âmbito do curso de “Introdução à Psico-Oncologia” realizado em Abril de 2019

Um abraço sonoro
Rui Miguel Cardoso
Consultor, Terapeuta e Facilitador de Som

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