As 12 fases do Síndrome de Burnout (esgotamento)

Frustrated office manager overloaded with work.“O Síndrome de Burnout é um distúrbio psíquico de carácter depressivo, precedido de esgotamento físico e mental intenso, definido em livros médicos como “() um estado de esgotamento físico e mental cuja causa está intimamente ligada à vida profissional“.

A denominação vem do inglês “to burn out” (queimar por completo), também chamada de síndrome do esgotamento profissional; foi assim chamada pelo psicanalista nova-iorquino Herbert J. Freudenberger, após constatá-la em si mesmo, no início dos anos 1970.

A dedicação exagerada à actividade profissional é uma característica marcante da síndrome, mas não a única. O desejo de ser o melhor e sempre demonstrar alto grau de desempenho é outra fase importante da síndrome: o portador de Burnout mede a auto-estima pela capacidade de realização e sucesso profissional.

Sofre com o que tem início com satisfação e prazer, mas que termina quando esse desempenho não é reconhecido.

Nesse estágio, a necessidade de se afirmar e o desejo de realização profissional se transformam em obstinação e compulsão. O paciente nesta busca sofre, alem de problemas de ordem psicológicas, forte desgaste físico, gerando fadiga e exaustão.

Os 12 estágios de Burnout

1. Necessidade de se afirmar ou provar ser sempre capaz.

2. Dedicação intensificada – com predominância da necessidade de fazer tudo sozinho e a qualquer hora do dia (é o chamado imediatismo);

3. Descaso com as necessidades pessoais. Por exemplo: comer, dormir, sair com os amigos começam a perder o sentido;

4. Recalque de conflitos: o portador percebe que algo não vai bem, mas não enfrenta o problema. É quando ocorrem as manifestações físicas.

5. Reinterpretação dos valores – isolamento, fuga dos conflitos. O que antes tinha valor sofre desvalorização: lazer, casa, amigos, e a única medida da auto-estima é o trabalho.

6. Negação de problemas – nessa fase os outros são completamente desvalorizados, tidos como incapazes ou com desempenho abaixo do seu. Os contactos sociais são repelidos. Cinismo e agressão são os sinais mais evidentes.

7. Recolhimento e aversão a reuniões (anti-socialização).

8. Mudanças evidentes de comportamento (dificuldade de aceitar certas brincadeiras com bom senso e bom humor).

9. Despersonalização (evitar o diálogo e dar prioridade aos e-mails, mensagens, recados etc);

10. Vazio interior e sensação de que tudo é complicado, difícil e desgastante;

11. Depressão – marcas de indiferença, desesperança, exaustão. A vida perde o sentido;

12. Finalmente, a síndrome do esgotamento profissional propriamente dita, que corresponde ao colapso físico e mental. Esse estágio é considerado de emergência e a ajuda médica e psicológica tem que ser prestadas com urgência.

Segundo o Dr. Jürgen Staedt, diretor da clínica de psiquiatria e psicoterapia do complexo hospitalar Vivantes, em Berlim, parte dos pacientes que o procuram com depressão são diagnosticados com a síndrome do esgotamento profissional.

O professor de psicologia do comportamento Manfred Schedlowski, do Instituto Superior de Tecnologia de Zurique, registra o crescimento de ocorrência de Burnout em ambientes profissionais, apesar da dificuldade de diferenciar a síndrome de outros males, pois ela se manifesta de forma muito variada: “Uma pessoa apresenta dores estomacais crônicas, outra reage com sinais depressivos; a terceira desenvolve um transtorno de ansiedade de forma explícita“, e acrescenta que já foram descritos mais de 130 sintomas do esgotamento profissional.

Burnout é geralmente desenvolvida como resultado de um período de esforço excessivo no trabalho com intervalos muito pequenos para recuperação.

Pesquisadores parecem discordar sobre a natureza desta síndrome. Enquanto diversos estudiosos defendem que Burnout refere-se exclusivamente a uma síndrome relacionada à exaustão e ausência de personalização no trabalho, outros percebem-na como um caso especial da depressão clínica mais geral ou apenas uma forma de fadiga extrema – portanto omitindo o componente de despersonalização. Fonte: (Com informações do Wikipédia e da redacção do Espaço Vital).”

 

«A FELICIDADE EGOÍSTA ESTÁ CONDENADA AO FRACASSO»

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“Matthieu Ricard, conhecido como «o homem mais feliz do mundo», mostra como pode ser simples estar bem com a vida.

Podemos ser felizes com pouco e infelizes com muito. Quem o diz é Matthieu Ricard, monge budista que, no início de maio, vem a Portugal falar sobre altruísmo e felicidade. Nesta conversa deixa um desafio: «ouse» fazer o bem aos outros sem esperar nada em troca.

 Foi reconhecido, de acordo com estudos científicos, como o homem mais feliz do mundo. Como é o seu quotidiano?
_ Os seus colegas jornalistas gostam muito da história de acordo com a qual a minha humilde pessoa seria «o homem mais feliz do mundo». Foi um rumor, sem nenhuma base científica, que surgiu há uns anos num documentário sobre a felicidade apresentado pela cadeia de televisão australiana ABC, e que dizia que «talvez tenhamos aqui o homem mais feliz do mundo». Toda a gente po­de encontrar a felicidade desde que a procure onde ela se encon­tra. Quanto ao meu dia-a-dia, faço todo o possível para partilhar o meu tempo entre retiros meditativos e os projetos humanitários que tenho a cargo nos Himalaias.

Gosta muito de fotografia e coloca as imagens que faz num blogue com o seu nome…
_ Para mim a fotografia é um hino à beleza. Comecei a fotogra­far aos 15 anos com um amigo fotógrafo de animais e apaixonado pela natureza. Após ter ido para os Himalaias, em 1972, fotogra­fei os meus mestres espirituais e o seu mundo. De acordo com os ensinamentos budistas, todos os seres detêm a natureza de Buda. Através da fotografia quis mostrar a beleza dessa natureza huma­na, a beleza e a dignidade, que podem coexistir com o sofrimen­to mais intenso e a esperança pode sobreviver mesmo à destrui­ção e à perseguição. O povo tibetano dá-nos essa prova, pois sou­be conservar essa alegria, a força interior e confiança enquanto sofria um genocídio humano e cultural. As imagens de sofrimen­to, de desespero e ignomínia abundam. Nunca consegui tirar fo­tografias dessas. Para mim, é essencial inspirar a esperança e a confiança, é aquilo que mais nos falta e de que mais precisamos.

Vários estudos indicam que as redes sociais podem levar a uma maior solidão do ser humano. Está de acordo?
_ Com efeito, segundo a socióloga americana Sherry Turkle, os canais ditos «sociais» são, na realidade, um meio de estar só, es­tando conetado a muita gente. Um jovem de 16 anos que comu­nica principalmente através de mensa­gens fazia notar com uma certa amar­gura: «Um dia, um dia, mas de certeza não agora, gostaria de aprender a ter uma conversa.» Os jovens passaram da conversação à conexão. Quando se tem três mil amigos no Facebook não po­demos evidentemente ter qualquer ti­po de verdadeira conversa. Apenas nos conetamos para falar de nós próprios para um auditório garantido. As con­versas eletrónicas são lapidares, rápidas e por vezes brutais. As conversações humanas, face a face, têm uma natureza diferen­te: evoluem lentamente, têm muitas nuances e ensinam-nos a pa­ciência. Numa conversa somos chamados a ver as coisas de um outro ponto de vista, uma condição necessária à empatia e ao al­truísmo.

Vem a Lisboa falar sobre O Altruísmo e a Felicidade. Qual a principal mensagem que traz?
_ Um dos maiores desafios da atualidade consiste em conciliar os imperativos da economia, da procura da felicidade e do respeito pelo ambiente. A economia e a finança evoluem a um ritmo cada vez mais rápido; a satisfação de vida mede-se com base num pro­jeto assente numa carreira, numa família, numa geração; e o am­biente, que tradicionalmente se media em eras geológicas, está, hoje, devido aos transtornos ecológicos provocados pelas ativi­dades humanas, em rápida mudança. Precisamos de um fio de Ariana que nos permita encontrar o caminho neste labirinto de preocupações graves e complexas. O altruísmo é o fio que nos po­de permitir ligar naturalmente as três escalas de tempo – curto, médio e longo prazo – harmonizando as suas exigências.

Uma família com o pai e a mãe desempregados pode ser feliz?
_As circunstâncias da vida podem ser muito difíceis, mas é preciso lembrarmo-nos de que há mil maneiras de viver a ad­versidade. Quando somos confrontados com situações que não escolhemos, o modo como vivemos as coisas pode agravá-las consideravelmente, ou aligeirá-las. A nossa mente pode ser o nosso melhor amigo ou o nosso pior inimigo. Por muito influen­tes que possam ser as condições externas, o mal-estar, tal como o bem-estar, é essencialmente um estado interior. Devemos assim fazer todos os possíveis para melhorar as condições exteriores e a qualidade de vida, para enfrentar as desigualdades salariais e de riqueza que vão crescendo na maior parte dos países da OCDE e que são particularmente visíveis em Portugal, mas é importante não colocar todas as nossas esperanças fora de nós. É que pode­mos ser muito infelizes quando aparentemente temos tudo para ser felizes e, ao contrário, sermos serenos na adversidade.

Existe uma receita para alcançar a felicidade?
_ Uma receita não, mas uma visão e métodos sim. A felicidade é, antes de mais, uma maneira de ser, um estado adquirido de pleni­tude subjacente a cada instante da existência e que perdura atra­vés das inevitáveis incertezas que vivemos. No budismo, a pa­lavra soukha designa um estado de bem-estar que nasce de uma mente excecionalmente saudável e serena. É uma qualidade que impregna cada experiência, cada comportamento, que abraça to­das as alegrias e todas as mágoas. É igualmente um estado de sabedoria e de conhecimento, liberto de venenos mentais e da cegueira sobre a verdadeira natureza das coisas. Soukha está es­treitamente ligado à compreensão da forma como funciona a nossa mente e depende da nossa forma de interpretar o mundo. É difícil mudar este último, mas é possível transformar a maneira como o percecionamos.

Ser feliz tem que ver com o «eu» ou com os «outros»?
_ Contribuir para a realização do bem dos outros é não só a mais desejável das atividades, mas também a melhor for­ma de realizar indiretamente o nosso próprio bem. A persegui­ção de uma felicidade egoísta está condenada ao fracasso, mas o contributo para o bem do outro constitui um dos principais fa­tores de estabilidade e, em última instância, de progresso em di­reção ao Despertar.

O altruísmo não é uma forma de apaziguar o ego? Quando fazemos bem aos outros não estamos, em primeiro lugar, a tratar de nós próprios?
_ A autoestima – o facto de sentir contentamento quando as nos­sas aspirações são satisfeitas – é compatível com a benevolência para com o outro, em oposição ao amor-próprio, que coloca os nos­sos interesses à frente dos do outro e exige que o mundo inteiro te­nha em consideração os nossos desejos. No entanto, a realização do bem dos outros não implica o sacrifício da nossa própria feli­cidade, bem pelo contrário. Se nos movemos por uma motivação altruísta, sincera e determinada, contribuir para o bem do outro é uma situação vivida como uma vitória e não como um falhan­ço, um ganho e não uma perda, uma alegria e não uma mortifi­cação. «O amor é a única coisa que duplica de cada vez que a da­mos», dizia Albert Schweitzer. Nunca poderemos, assim, falar de sacrifício, uma vez que, subjetivamente, o ato cumprido, lon­ge de ter sido sentido como um sofrimento ou perda, trouxe-nos satisfação de ter agido de maneira justa, desejável e necessária. O mundo do ego é como um pequeno copo de água: umas pitadas de sal chegam para o tornar intragável. Mas o que faz estoirar a bolha do ego é compa­rado a um grande lago: um punhado de sal não muda em nada o sabor. Em conclusão, o egoísmo só faz perdedores: torna-nos infe­lizes e leva-nos a fazer infelizes os que nos rodeiam. O amor altruísta é a mais positiva de todas as emoções positivas.

Vai estar também no Porto numa conferên­cia sobre Meditação e Ciência. Qual é a liga­ção entre uma coisa e outra?
_ A partir do ano 2000, foram lançados programas de investigação com um gru­po de pessoas que tinha consagrado uma vintena de anos ao desenvolvimento sis­temático da compaixão, do altruísmo e da paz interior. A análise de certos dados de­monstrou diferenças espetaculares en­tre os meditantes e os não praticantes. Os primeiros tinham a faculdade de gerar es­tados mentais precisos, poderosos e du­ráveis. De acordo com o investigador Ri­chard Davidson, de Wisconsin, «foi pos­sível demonstrar que o cérebro pode ser treinado e modificado fisicamente de uma forma que poucos imaginam». E quan­tas mais horas de prática, mais assinalá­vel é a transformação cerebral. Outros tra­balhos demonstraram que as áreas do cé­rebro ativadas pela empatia são distintas das que são ativadas pela compaixão e pe­lo amor altruísta. Sabemos que a resso­nância empática com a dor do outro pode conduzir, se repetida muitas vezes, a uma exaustão emocional e à aflição. É isto que vivem frequentemente os enfermeiros e médicos por estarem em contato com doentes em grande sofrimento. Este fenó­meno, conhecido em inglês como burnout, é traduzível como «exaustão emocional» ou ainda «fadiga da compaixão». Constatou-se que a compaixão e o amor altruísta estavam associados às emoções positivas. E que o burnout é uma «fadiga da empatia» e não da compaixão. Esta úl­tima, com efeito, longe de levar à aflição ou ao desencorajamento, reforça o estado de alma, o equilíbrio interior e a determinação corajosa de ajudar aqueles que sofrem. Assim, o amor e a compai­xão não geram nem fadiga nem desgaste, mas, pelo contrário, aju­dam a ultrapassá-los e a repará-los.

Os médicos acreditam nesse «poder» da meditação para prevenir doenças?
_ Outras experiências científicas demonstraram que não é neces­sário ser um meditante muito treinado para beneficiar dos efeitos da meditação, e que vinte minutos de prática diária contribuem significativamente para a redução da ansiedade e do stress, da ten­dência a ficar colérico (cujos efeitos na saúde estão bem identifi­cados) e do risco de recaída em caso de depressão grave. Oito se­manas de meditação sobre a consciência plena, de cerca de trin­ta minutos diários, reforçam notavelmente o sistema imunitário. O que é indispensável, na prática, não é meditar durante longos períodos, mas fazê-lo regularmente. O estudo da in­fluência dos estados mentais sobre a saúde, outrora classificados como fan­tasia, está cada vez mais na ordem do dia da investigação científica.

Deixou uma carreira científica para abra­çar o budismo. Qual foi o momento deter­minante para essa mudança?
_ O momento-chave foi o encontro com mestres espirituais tibetanos, na Índia. Tive uma imensa sorte de encon­trar o meu mestre espiritual, Kangyur Rinpotché, em 1967, perto de Djarlee­ling, na Índia, e de passar, depois da sua morte, em 1975, alguns anos em retiro perto do mosteiro onde viveu. A par­tir de 1981, tive o privilégio de viver 13 anos junto de um outro grande mestre tibetano, Dilgo Khyentsé Rinpotché, e de receber os seus ensinamentos. De­pois, tive numerosas ocasiões de ser­vir o XIV Dalai Lama e de receber os seus ensinamentos. Um mestre espiri­tual autêntico é alguém que vos mos­tra aquilo que vocês poderiam ser. É al­guém que está em perfeita sintonia com aquilo que ensina. O mensageiro torna–se a mensagem.

Meditar está ao alcance de todos?
_ Claro que sim! A meditação visa al­cançar um melhor conhecimento da nossa mente e uma maior capacidade de gerir os nossos pensamentos. Estamos confrontados com a nossa mente de manhã à noite e é ela, afinal de contas, que determina a qualidade de cada momento da nossa existência. O facto de conhecer melhor a sua verdadeira natureza e de compreender os seus mecanismos vai influenciar de maneira crucial essa qualidade.

As emoções condicionam a nossa mente. O que diria a quem sente raiva, ciúme, inveja…?
_ É preciso, em primeiro lugar, que essa pessoa reconheça o cará­ter destrutivo dessas emoções. Quando falamos de emoções ne­gativas, como no caso da raiva ou do ciúme, o termo «negativo» não tem valor moral, mas prático. Isto significa «menos» felicida­de e mais sofrimento. Ouvimos dizer que o budismo em geral, e a meditação em particular, visam suprimir as emoções. Tudo de­pende daquilo que entendemos por «emoção». Se forem pertur­bações mentais como o ódio e a inveja, porque não desembara­çarmo-nos delas? Se for um sentimento de amor altruísta ou de compaixão para com os que sofrem, porque não desenvolver es­sas qualidades? Este é, em qualquer caso, o objetivo da meditação. Compreendamos que é a acumulação e encadeamento das emo­ções e dos pensamentos que geram os nossos humores, os quais duram alguns instantes ou alguns dias, e que formam, a longo prazo, as nossas tendências e traços de caráter. É por isso que se aprendermos a gerir as emoções, pouco a pouco, de emoção em emoção, de dia para dia, acabaremos por transformar a nossa maneira de ser.

O budismo é uma filosofia de vida?
_ O budismo é uma religião, uma filo­sofia, uma sabedoria ou uma arte de vi­ver? É uma questão frequentemente co­locada ao Dalai Lama e à qual responde com humor: «Pobre budismo! Eis que é rejeitado pelos religiosos, que dizem que é uma filosofia ateia, uma ciência da mente, e pelos filósofos que o colocam na prateleira das religiões. Mas isto po­de ser uma vantagem, pois permite-lhe construir uma ponte entre as religiões e filosofias». Diria que o budismo é uma tradição espiritual da qual emana uma sabedoria aplicável a todos os momen­tos da existência e em todas as circuns­tâncias.

E, em sua opinião, porque é que vai con­quistando cada vez mais seguidores no Ocidente?
_ Tem de lhes perguntar! Não posso fa­lar por eles. Talvez seja devido ao facto de o budismo oferecer uma perspetiva muito pragmática em relação aos me­canismos da felicidade e do sofrimento.

Como vê o atual Papa Francisco? Existe algum ponto em comum entre o catolicis­mo e o budismo?
_ Tenho grande admiração pelo Papa Francisco, pela sua simplicidade, pela sua humildade e bom senso. Estou con­vencido de que pode fazer muito pelo mundo. Fiquei particularmente surpreendido quando, pouco tempo depois da sua eleição, foi a uma prisão em Itália e lavou os pés a uma mulher muçulmana. O budismo e o cristianismo têm em comum a importância que dão ao amor ao próximo. É preci­so que as religiões estejam ao serviço dos mais humildes e dos ne­cessitados, o seu objetivo não deve ser o de converter as pessoas, mas sim ajudá-las e libertá-las dos seus sofrimentos.

O que «ganhou» em tornar-se um monge budista?
_ A liberdade de me dedicar o mais possível – embora nunca o su­ficiente, devia, claro, praticar mais – à prática espiritual.

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QUEM É MATTHIEU RICARD?
Nasceu em Paris, em 1946, num meio privilegiado, filho do filósofo francês Jean François Revel e da pintora Yahne Le Tourmelin. Doutorado em Biologia Molecular pelo Instituto Pasteur, sob orientação do Prémio Nobel François Jacob, cedo se interessou pelo budismo. Decidiu então abandonar a carreira científica e tornar-se monge. Escreveu várias obras sobre a espiritualidade, sendo a mais conhecida O Monge e o Filósofo – um diálogo com o seu pai sobre o sentido da vida. É um amante da fotografia, tendo cerca de uma dezena de livros publicados com imagens de rara beleza sobre a Índia, Nepal, Butão e Tibete, e um membro ativo do Mind and Life Institut, com sedes na Suíça e nos EUA. Desenvolveu a asso­ciação Karuna-Shechen, através da qual apoia projetos huma­nitários e construção de pontes, sobretudo nos Himalaias. É também conhecido como o «homem mais feliz do mundo».”

Fonte: http://www.noticiasmagazine.pt/

As mãos que alimentam.

“Um jovem foi se candidatar a um alto cargo em uma grande empresa .

Passou na entrevista inicial e estava indo ao encontro do director para a entrevista final.1014456_638586606222344_5705034849317957508_n O director viu seuCV, era excelente. E perguntou-lhe:
– Você recebeu alguma bolsa na escola? – o jovem respondeu – Não.
– Foi o seu pai que pagou pela sua educação?
– Sim – respondeu ele.
– Onde é que seu pai trabalha?
– Meu pai faz trabalhos de serralharia.

O director pediu ao jovem para mostrar suas mãos.
O jovem mostrou um par de mãos suaves e perfeitas.

– Você já ajudou seu pai no seu trabalho?
– Nunca, meus pais sempre quiseram que eu estudasse e lesse mais livros. Além disso, ele pode fazer essas tarefas melhor do que eu.

O Diretor lhe disse:
– Eu tenho um pedido: quando você for para casa hoje, vá e lave as mãos de seu pai. E venha me ver amanhã de manhã.

O jovem sentiu que a sua chance de conseguir o trabalho era alta!

Quando voltou para casa, ele pediu a seu pai para deixá-lo lavar suas mãos.
Seu pai se sentiu estranho, feliz, mas com uma mistura de sentimentos e mostrou as mãos para o filho. O rapaz lavou as mãos de seu pai lentamente. Foi a primeira vez que ele percebeu que as mãos de seu pai estavam enrugadas e tinham muitas cicatrizes. Algumas contusões eram tão dolorosas que sua pele se arrepiou quando ele a tocou.
Esta foi a primeira vez que o rapaz se deu conta do significado deste par de mãos trabalhando todos os dias para pagar seus estudos. As contusões nas mãos eram o preço que seu pai teve que pagar por sua educação, suas actividades escolares e seu futuro.
Depois de limpar as mãos de seu pai, o jovem ficou em silêncio organizando e limpando a oficina do pai. Naquela noite, pai e filho conversaram por um longo tempo.

Na manhã seguinte, o jovem foi encontra-se com o Director.
O director percebeu as lágrimas nos olhos do moço quando ele perguntou:
– Você pode me dizer o que você fez e aprendeu ontem em sua casa?
O rapaz respondeu:
– Lavei as mãos de meu pai e também terminei de limpar e organizar sua oficina. Agora eu sei o que é valorizar, reconhecer. Sem meus pais, eu não seria quem eu sou hoje… Por ajudar o meu pai agora eu percebo o quão difícil e duro é para conseguir fazer algo sozinho. Aprendi a apreciar a importância e o valor de ajudar a família.

O director disse:
– Isso é o que eu procuro no meu pessoal. Quero contratar uma pessoa que possa apreciar a ajuda dos outros, uma pessoa que conhece os sofrimentos dos outros para fazer as coisas, e que não coloca o dinheiro como seu único objectivo na vida. Você está contratado.

Uma criança que tenha sido protegida e habitualmente dado a ela o que quer, desenvolve uma mentalidade de “Tenho direito” e sempre se coloca em primeiro lugar. Ignora os esforços de seus pais.
Se somos esse tipo de pais protectores, estamos realmente demonstrando amor ou estamos destruindo nossos filhos?
Você pode dar ao seu filho uma casa grande, boa comida, educação de ponta, uma televisão de tela grande… Mas quando você está lavando o chão ou pintando uma parede, por favor, o faça experimentar isso também . Depois de comer, que lave os pratos com seus irmãos e irmãs. Não é porque você não tem dinheiro para contratar alguém que faça isso; é porque você quer amar do jeito certo. Não importa o quão rico você é, você quer entender. Um dia, você vai ter cabelos brancos como a mãe ou o pai deste jovem.

O mais importante é que a criança aprenda a apreciar o esforço e ter a experiência da dificuldade, aprendendo a capacidade de trabalhar com os outros para fazer as coisas.”

(Tradução da postagem de Adri Gehlen Korb)

10 hábitos de casais felizes

Um site americano fez uma pesquisa para divulgar porque os casais felizes são tão felizes.
Surgiu uma lista de 10 hábitos, que são consideravelmente bons de se cumprir. A maior parte consiste na comunicação mútua.

“Acho que esta lista vai ajudar a dar uma força. Vamos lá…

1. Vá para a cama ao mesmo tempo
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Lembre-se do início do seu relacionamento, quando não podia esperar para ir para a cama com o outro para fazer amor.
Casais felizes resistem à tentação de ir para a cama em momentos diferentes. Eles vão para a cama ao mesmo tempo, mesmo que depois, um dos parceiros acorde para fazer alguma coisa, enquanto seu parceiro dorme.

2 . Cultive interesses comuns
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Após a paixão se acalmar, é comum perceber que existem poucos interesses em comum.
Mas não minimize a importância das atividades que vocês podem fazer juntos. Se os interesses comuns não estão presentes, o casal deve encontrá-los. Mas não se esqueça de cultivar interesses próprios. Isso irá te tornar mais interessante para o seu companheiro(a) e ao mesmo tempo impedir que ele(a) fique muito dependente de você.

3 . Ande de mãos dadas ou lado a lado
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Ao invés de um se arrastar atrás dos outro, casais felizes caminham confortavelmente lado a lado ou de mãos dadas. Sabem que é mais importante estar com o seu parceiro do que observar as coisas ao longo do caminho. Dê as mãos, nem que seja para chegar até o carro ou ir até a esquina.

4 . Adotem um padrão de confiança e perdão
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Se casais felizes têm um desentendimento e, se eles não podem resolvê-lo, um padrão de confiança e de perdão é adotado em vez de desconfiar e ser relutante um com o outro.

5 . Valorize mais o que o seu parceiro faz certo do que aquilo que ele ou ela faz errado
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Incomodar-se com coisas que seu parceiro(a) faz errado é fácil.
Agora, encontrar e evidenciar o que ele(a) faz de certo, é mais difícil, mesmo sendo algo importante e que melhora a relação. Trabalhe o positivo. Casais felizes acentuam sempre o positivo.

 

 

6 . Abracem-se, logo que vocês se encontrarem depois do trabalho
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Nossa pele tem uma memória de “bom toque” (amado), “mal toque” (abusado) e “não toque” (negligenciado). Casais que dizer olá com um abraço, mantém sua pele banhada pelo “bom toque”, que podem inserir seu espírito contra o anonimato no mundo.

7 . Diga “ Amo-te” e  “Tem um bom dia” todas as manhãs, ou melhor, não se esqueça de dizer “Amo-te”, hoje!
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Falar palavras doces é uma ótima maneira de amenizar aborrecimentos ao longo do dia, como engarrafamentos, longas filas, prazos apertados no trabalho.

Dizer “amo-te” e receber eu te amo todos os dias, é uma forma deliciosa de lidar mais suavemente com o mundo.

8 . Diga “Boa noite”, todas as noites, independentemente de como você se sente
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Independentemente de como você está chateado, estressado, ou como anda seu dia a dia, é importante fechar o dia com um sorriso e um boa noite. A felicidade entre você e seu parceiro deve ser maior do que qualquer incidente perturbador.

9 . Faça uma verificação de “tempo” durante o dia
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Ligue para o seu parceiro em casa ou no trabalho para ver como seu dia está indo. Esta é uma ótima maneira mantê-los em sintonia antes mesmo de chegarem do trabalho. Por exemplo, se o seu parceiro está tendo um dia terrível, talvez você amenize isto, deixando-o entusiasmado com algo bom que aconteceu com você. Ou simplesmente ouvindo sua voz.

10 . Tenha orgulho de ser visto com o seu parceiro
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Casais felizes têm o prazer de ser vistos juntos e muitas vezes estão em algum tipo de contato afetuoso – mão na mão ou mão no ombro ou joelho ou de atrás do pescoço… Eles não estão sendo exibidos, mas sim apenas dizendo que eles pertencem uns com os outros.”

fonte: euteamohoje.com.br / http://www.coisasparacriancas.com/

Relacionamentos: a chave de tudo

“Quer seja no trabalho, na escola, em casa, na comunidade, todos os dias convivemos com diferentes pessoas. Construir relações fortes, saudáveis e de confiança não é tarefa fácil e, por isso, todos querem saber como consegui-lo. Fomos falar com quem é entendido na matéria para descobrirmos um pouco mais deste complexo mundo.
A vida é feita de relacionamentos. Connosco próprios. Com espaços e objetos. Com as outras pessoas. Relacionamo-nos com pais, irmãos, amigos, parceiros, colegas de trabalho, chefes, empregados do café que frequentamos habitualmente. Encontramos alguém por quem nos apaixonamos e que se apaixona por nós. Simplesmente acontece. Parece fácil, não é? Mas os relacionamentos entre as pessoas têm sempre as suas complicações. Basta pensarmos, por exemplo, nos relacionamentos amorosos.
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Por vezes, amamos a pessoa errada. Podemos amar demasiado, não amar o suficiente ou não saber demonstrar esse amor. Em alguns casos esforçamo-nos por encontrá-lo, enquanto noutros não sabemos se já o encontrámos. E há ainda os momentos em que pensamos que ainda existe, mas sentimos que está a enfraquecer e não sabemos como recuperar o seu esplendor. As relações, sejam de que natureza forem, podem ser testadas e postas à prova até ao limite.Se olharmos ao nosso redor, podemos ver que os relacionamentos estão no centro da nossa vida e aprendizagens. Maria de Jesus Candeias, psicóloga e terapeuta de casal, explica que “o ser humano é um ser, por natureza, social e relacional. Só existimos em relação. Amar e ser amado é algo fundamental ao ser humano e ao seu desenvolvimento”.

Por isso, desde que nascemos que tentamos aprender a relacionar-nos com as pessoas que nos rodeiam. Interagimos no nosso quotidiano não só por necessidade do momento, mas porque precisamos de estabelecer relações interpessoais e, consequentemente, ligações emocionais.

No entanto, à medida que crescemos, o modo como nos relacionamos com os outros vai-se modificando. Vamos formando a nossa personalidade e construindo relações com base nas nossas experiências, hábitos e padrões comportamentais. Por exemplo, “em crianças os pais representam tudo para nós, na adolescência os amigos assumem o centro das nossas vidas, e há medida que nos desenvolvemos sexualmente, a nossa atenção e o nosso investimento relacional, passa a ser na procura de uma relação amorosa íntima”, conta a psicóloga. 

A chave para relações saudáveis e duradouras 

O relacionamento humano é complexo, pressupõe o sabermos interagir uns com os outros, ter em conta os papéis, as normas, as expectativas, a cultura, a comunicação, as diferentes formas de ver o mundo. Todos os sucessos que alcançamos na vida são resultado de relacionamentos iniciados com as pessoas certas e, posteriormente, do fortalecimento desses laços.

Tornar uma relação duradoura não é uma questão de sorte, astrologia ou destino. Para Maria de Jesus Candeias, manter um relacionamento é uma arte e há pessoas que têm mais competências relacionais do que outras. Porém, “não há relações perfeitas e mesmo as relações saudáveis têm os seus momentos de crise”, adverte a terapeuta de casal.

Os relacionamentos sólidos e duradouros são dos ingredientes que dão mais sentido à vida. E há pessoas que parecem extremamente bem-sucedidas em construir essas ligações. No entanto, para a maioria de nós não é assim tão fácil. Apesar de sermos seres sociais por excelência, também temos o dom de estragar as relações que estabelecemos.

Vítor Rodrigues, psicólogo, revela que para fortalecer uma relação “é fundamental observar o trajeto do outro – de quem gostamos -, querer acompanhá-lo, colaborar com ele. É essencial que haja proximidade e cooperação nos vários níveis (físico-corporal, afetivo, intelectual, espiritual) ”.

O sucesso relacional exige, assim, segurança, autoconfiança e uma grande maturidade emocional individual, quer na vida amorosa, quer na vida profissional. “Só podemos amar alguém, se nos amarmos e respeitarmos, em primeiro lugar a nós próprios. Quando isto não acontece, facilmente nos anulamos e perdemos na relação com o outro, e estamos a meio caminho de estabelecer relações pouco saudáveis”, realça Maria de Jesus Candeias.

Segundo os psicólogos, entre os alicerces dos relacionamentos bem-sucedidos encontram-se o respeito mútuo, confiança, capacidade de comunicação, honestidade e frontalidade. E, claro, no caso dos relacionamentos amorosos, o amor, afeto sincero e interesse recíproco pelo outro.

As competências humanas não têm preço. Não importa o que se quer fazer. Se não somos capazes de alcançar sucesso com as outras pessoas, dificilmente o alcançaremos. A nossa capacidade de construir e manter relacionamentos saudáveis é o fator mais importante para nos sairmos bem em qualquer área da vida.

Quando as coisas correm mal…

Porque é que as relações chegam ao fim? Quais são os principais erros que cometemos ao relacionarmo-nos com os outros? Ao que parece o nosso pecado mortal nos relacionamentos pessoais é não lhes darmos a devida importância. Não fazemos um esforço ativo e permanente para fazer e dizer coisas que contribuirão para que as pessoas gostem mais de nós, acreditem em nós e que criem nelas o desejo de trabalhar connosco na realização dos nossos propósitos e desejos.

Geralmente, no início de um relacionamento criamos uma grande expectativa na capacidade de aceitação, realização e partilha para com o outro. Mas à medida que o tempo passa começamos por nos aperceber de características e comportamentos que nos surpreendem, bem como diferenças de opinião, objetivos e expectativas.

Maria de Jesus Candeias aponta “as inseguranças individuais, as dificuldades de comunicação, a procura dum parceiro (a) igual a si, ou que preencha todos os quesitos idealizados” como as principais dificuldades ou erros que existem nos nossos relacionamentos. A comunicação assume aqui um papel fundamental, pois “sem ela o silêncio acaba por corroer a relação”, sublinha a terapeuta de casal.

Também Vítor Rodrigues aponta esta questão como um dos principais elementos responsáveis pelo mau funcionamento de uma relação. “Um dos erros mais comuns consiste em não saber dialogar ou não dialogar o bastante, dedicando-se a ‘adivinhar’ o que o outro pensa ou sente, ou a atribuir razões para o que ele faz ou fez sem lhe perguntar. Do mesmo modo, podemos tender a guardar para nós tudo o que sentimos sem fazer o esforço de partilhar a nossa intimidade emocional”, conduzindo ao que o psicólogo denomina de diálogo de surdos.

Outro dos motivos porque muitas ligações colapsam, sobretudo as afetivas, prende-se com o facto de os nossos relacionamentos assentarem na repetição de padrões de comportamentos, que aprendemos muito cedo. Ou seja, comportamo-nos de acordo com as relações e as experiências que tivemos ao longo da vida.

Assim, o comportamento das primeiras pessoas relevantes das nossas vidas, que aprendemos a amar – geralmente os pais -, tendem também a ficar como protótipo da maneira de nos comportarmos ou dos comportamentos a apreciar. “Por isso, temos tendência, mais tarde, a procurar inconscientemente pessoas similares àquelas que foram primeiro alvo do nosso afeto”, revela o psicólogo.

Se tivermos um modelo familiar pautado por experiências e modos de funcionamento felizes – com base na imagem construída dos relacionamentos e traços de personalidade dos respetivos pais, outros familiares e amigos próximos -, estabeleceremos relacionamentos saudáveis e bem-sucedidos, onde predominam a harmonia e o sentimento de gratificação. Caso contrário, as antigas feridas reabrem e é preciso curá-las.

Mudam-se os tempos, mudam-se os relacionamentos

Os relacionamentos dos dias de hoje pouco têm a ver com os de antigamente. Em pleno século XXI são raras as pessoas que se casam com os namorados do tempo de escola ou universidade e vivem com eles até que a morte os separe. A vida parece agora mais complicada do que no passado e oferece-nos mais escolhas. Temos mais possibilidades de emprego, mais liberdade económica, social e sexual do que os nossos pais e avós.

Uma das consequências desta liberdade é a possibilidade de sairmos de relacionamentos menos satisfatórios em vez de ficarmos presos ao Senhor ou Senhora Errados. Mas também parece que essa liberdade faz com que, por vezes, não nos esforcemos para ultrapassar as contrariedades e desistamos perante o primeiro obstáculo.

Todas as relações que criamos ao longo da nossa vida, independentemente da sua natureza, da duração, da dor que causaram ou da forma negativa como acabaram, resultaram de um modo e falharam de outro. Só porque um relacionamento não resultou, não significa que tenha sido um fracasso. Cabe a nós próprios analisar o que resultou e o que falhou para que possamos melhorar as nossas relações futuras e evitar os erros outrora cometidos. Afinal, os relacionamentos são onde aprendemos mais sobre nós próprios, onde crescemos e evoluímos. ”

In: http://saude.pt.msn.com
Fontes:

– Maria de Jesus Candeias, psicóloga e terapeuta de casal

– Vítor Rodrigues, psicólogo

– Novo relacionamento procura-se, de Gían Gonzaga, Arte Plural Edições

– 100 Regras para o amor. Como construir relações afetivas sólidas e duradouras, de Richard Templar, Editorial Presença